Hoje o porteiro lá do prédio me perguntou por que eu emagreci tanto. Daí respondi que não sabia, que a gente nunca sabe quando um amor vai embora. E ele, continuando a conversa, disse que percebeu que eu andava quieta, que já não o comprimentava mais quando saia ou chegava. Que os meus dias pareciam ter ficado como os dias dele: alí, parado, esperando alguém chegar pra abrir o portão de novo. E eu, que não falava com ele há tempos, agora conversando, confirmei o que ele disse. Então, antes de terminar a conversa e me dar a encomenda de SEDEX que tinha chegado pra mim, ele, coçando a cabeça, completou que assim como na vida dele, embora parada, ele nunca tinha deixado de abrir o portão, e que eu deveria fazer o mesmo. "Outras pessoas passam por aí", terminou.
Estranho, mas parece que ele sabia o que tinha na encomenda de SEDEX...